quarta-feira, 5 de julho de 2017

A ALMA SABE-NOS ETERNOS

Meu amado, 
Hoje quero falar-te de tempo.
Dia 4 de Julho o calendário dos homens marcou 15 meses desde que o teu corpo deixou a terra. Em conversa com a mamã, recordámo-nos que foi igualmente aos 15 meses de vida que partiste.
Curioso como o tempo deambula os nossos sentidos e tece em nós a profunda certeza de que só existe na medida em que o quantificamos e lhe atribuímos valor e significado.
Sabes querido, quanto mais caminho, menos sei sobre conceitos, ideias, ideais, certezas e…tempo.  
A intemporalidade do que vivo está cada vez mais presente em mim e aceitar a impermanência de tudo, apesar de desafiante, parece-me mesmo ser o grande segredo para  quem quer atravessar este caminho em paz.
Usando palavras de dor, poderia profanar o que em mim sei sagrado e dizer-te que foram 15 meses contigo e 15 meses sem ti.
Mas, isso não é a verdade.
A alma sabe-nos eternos no caminho um do outro e por isso a leitura do “tempo-dos-homens”, esvai-se como pó deitado ao vento, restando a profunda certeza de que o AMOR se eleva sempre perante qualquer dor ou apego, e que se podem perder ilusões, mas nunca, nunca se “perde-ninguém”.
Por isso, meu amado, hoje sei, que não só não te perdi, como através de ti ampliei a certeza de que quem amamos não parte nunca.
Pois, apesar de na terra, nada “durar-para-sempre”, no AMOR não há duração possível, pois TUDO é sabiamente ETERNO!         
Abraço-Te na Luz maior,
Vovó Kikas

quarta-feira, 21 de junho de 2017

DOIS LADOS DA VIDA


Sempre que viramos as costas a algo, estamos de frente para algo também.
Na vida tudo tem dois lados.
Duas escolhas. Tudo.
Excepto o verdadeiro Amor!  

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

PAUSA PARA UM NOVO LIVRO

Vou fazer uma pausa durante o mês de Janeiro.
Não para um Kit Kat, como diz o anúncio, mas sim para poder terminar aquele que será o meu próximo livro.
Como disse um dia o José Eduardo Agualusa, os livros são entidades caprichosas, confesso que este tem sido prova disso.
Tem uma certa rebeldia que se lhe aconchega às histórias e talvez por isso, passamos muito tempo a negociar os dois, e mesmo depois de ceder aos seus caprichos, ainda me surpreende e troca as voltas sem a menor preocupação.
Não faço dele aquilo que quero, mesmo quando penso que está a meu favor.
Durante meses, conquistámos muitas páginas de vida em comum.
Envolvemo-nos, enovelamo-nos, transcendemo-nos, tudo porque muito em breve ele nascerá para o mundo e com ele uma parte de mim (re)nascerá também!   
E, como a gestação é feita no escuro, estarei este mês em “modo-voo”, a escarramanhar o resto da história, ansiosíssima por lhe saber o fim (arre, que mania esta de querermos sempre saber o fim), que acredito me vai surpreender!
Escrever conduz-me até mim e é lá que gosto de estar.  

Até já!!!   

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

ONDE É QUE SE ENFIARAM OS AMIGOS?

No sábado passado tive o privilégio de participar num encontro que teve como propósito reunir mães que perderam os seus filhos, promovendo a partilha de experiências para que, através da identificação o processo de luto seja dentro do possível, menos solitário e mais acolhedor.
Acompanhei a minha filha, participando como avó, e pude sentir de mais perto a dor da perda, o vazio, as incertezas, os medos, mas também alguma esperança de que a vida continua, mesmo quando uma parte de nós nos é retirada sem que nada possamos fazer para contrariar.    

Neste encontro, pude ainda saber que, uma pergunta que após a partida do Duarte, tantas vezes fiz, curiosamente (ou não) todas estas mães a fizeram também - onde se enfiaram os amigos que parece se evaporaram todos depois do funeral?

Relembrando a frase de Confúcio que diz, que para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça, pois no sucesso verificamos a quantidade e na desgraça a qualidade, hoje posso afirmar que esta frase me trespassou a pele e sei-a de cor porque a tenho vivido. 
Apesar de continuar sem entender a razão pela qual nestas alturas os “amigos” se afastam, pude finalmente sentir que esta não era uma questão só minha, mas sim uma questão relacionada com o próprio processo do luto e com a “incapacidade” que alguns ditos “amigos” parecem revelar perante acontecimentos duros, pouco floridos e nada fáceis de lidar.   

Ao que parece, uma parte de nós precisa de acreditar, que estes “amigos” se afastaram sim, mas com “boa-intenção”, ou melhor dizendo, sem que a mesma seja “má”, o que são coisas bem diferentes.
Seja lá o que for, que só cabe a cada um saber de si, o que me parece é que neste caso a acção se sobrepõe e muito á intenção.       

Como se apoiar o outro, por perder alguém, especialmente uma criança com doença oncológica, trouxesse agregada a si, uma tónica de contágio qualquer, capaz de relembrar a cada inspiração que a vida é mesmo fora do nosso controle, impermanente e cíclica, no fundo como toda e qualquer amizade cujo pilar não esteja assente na verdade.      

Confesso que após todas as partilhas foi ainda mais claro para mim, que um amigo não tem de ser quem muito fala, mas sim, quem sem falar se consegue fazer ouvir. Um amigo não é o que desaparece perante uma situação difícil, por não saber lidar com a mesma, mas sim o que sabe sair de si mesmo e das suas incapacidades para chegar ao outro a quem afinal chama…amigo.

Ninguém cura a solidão de ninguém, é um facto.
É verdade que, quando perdemos quem amamos, uma gélida solidão instala-se dentro de nós, um transtorno constante inquieta-nos, roí-nos, faz-nos doer e nada nem ninguém parece ter a fórmula de o fazer desaparecer.  
É verdade também que há uma impotência gigante que nos traz sentimentos de raiva, de revolta e até de zanga profunda com a vida. Mas, a verdade das verdades é que o apoio dos que nos rodeiam é balsâmico para atravessarmos a dor com algum aconchego.

Que bom que é saber que há coisas que os amigos sabem.
Sabem por exemplo, que não precisamos de dizer muito para que nos possamos entender, pois ambos já experienciámos que uma das mais duras solidões é mesmo a de não se sentir entendido. 
Muitas vezes, basta sentirmos que o outro está ali, que podemos falar se preciso for, ou nada dizer se isso for o que no momento nos é mais confortável.
Um amigo sabe que quem está do lado de dentro, a viver um processo desta natureza, talvez não dê agora o primeiro passo para tomar um café ou para jantar, como outrora o fazia.
Um amigo sabe, ou deveria saber (desculpem lá a minha presunção), que o primeiro passo agora lhe pertence, pelo menos até tudo voltar ao equilíbrio que a reciprocidade anterior sempre permitiu.
A amizade não se pedincha, não se compra, nem se vende.                        
Ou é, ou não é.
Se é, revela-se nas acções.
Se não é, é nas acções que se revela também! ~   

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

ATRAVESSAR A NOITE ESCURA ~

Humanos que somos, há coisas que gostaríamos de poder ignorar, pois sabemos que não as ignorando, mais cedo ou mais tarde teremos lidar com elas. 
A dor é uma delas. Regra geral, entra-nos pela casa adentro sem pedir licença, pois se pedisse talvez não fosse deixada entrar, mostrando-nos que há uma parte do nosso caminho, que pertence ao Criador, só ele capaz de nos esculpir como barro vezes sem conta até que a “nossa-forma-ideal”, não aquela em que nos tornámos, mas sim aquela que somos, esteja concluída.           
Polaridade do prazer, a dor é parte integrante da existência humana e acontece-nos não como uma punição divina, mas sim como possibilidade de ‘não-punirmos’, nem abafarmos o divino que existe dentro de cada um de nós. 

Sem dor, não poderia haver crescimento, nem transformação.
A dor é iniciática. Só ela permite aceder às profundezas do nosso oceano, mostrando-nos que apesar de profundo, nele existe uma beleza única, capaz de nutrir com esperança os nossos desencantos e manter lúcidas as nossas conquistas. 

Aceitá-la não é enrolar-se nela, mas sim torná-la nossa aliada.

Não querer ultrapassá-la, como se ultrapassa o carro que segue à nossa frente na estrada, mas sim atravessá-la, como atravessamos a ponte que se edifica sobre as águas e que indubitavelmente nos permite chegar à outra margem do rio.
Também a dor depois de atravessada tem a sua outra margem.
Atravessá-la é caminhar através da noite escura a que nos convida, relembrando no nosso âmago, que naturalmente o dia a ela se seguirá.       
Atravessá-la, é honrá-la nos seus desígnios maiores, gastando-a aos poucos, com a mesma simplicidade com que gastamos o leite do frigorífico ou o arroz da dispensa.

Transcende-la, pois nela reside o divino.

É que por mais epidurais que existam, não há parto sem dor, nem gestação sem ambiente propício: o escuro.
Perante o milagre do nascimento, só o amor pode transmutar a dor, mostrando-nos com sabedoria o “resultado” da mesma no mistério que é a Vida.
Alquimistas que somos, precisamos de morrer e nascer várias vezes nesta mesma vida. Isto dói é certo, mas a dor que nos dói é a mesma que lima e amacia as arestas da nossa personalidade. É a mesma que nos obriga a sair do útero das nossas limitações, onde aprendemos que morrer todos os dias para o medo, significa pela ‘ciência-exacta-das-polaridades’, nascer todos os dias para o Amor.
Caminho escuro e individual, pois ninguém pode por nós fazê-lo, atravessar a dor é contrair para sempre matrimónio com a Vida.
Comprometer-se em verdade com ela.
Nunca a abandonar – nem na saúde, nem na doença, nem no prazer, nem na dor, honrando a sua eterna cumplicidade, aliança resultante do ouro interno e eterno que é estar vivo e saber-se tão-somente … AMOR, marca maior deste grandioso e gigante puzzle onde todas as peças da nossa existência acabarão um dia por encaixar!  
  
   



segunda-feira, 12 de setembro de 2016

NÃO HÁ AMOR IMPOSSIVEL...

Não há Amor impossível, nem Amor proibido.
O Amor é o mais possível, possível.
O mais possível livre.
Não há Amor apegado,
Nem Amor dorido.
Não há amores que acabam, mas sim relações que não têm como continuar.
Há carências, ilusões e mentiras.
Não são feitas de amor, mas sim de medo.
Há traições, inverdades e escuros esconderijos.
Não são feitos de Amor, mas sim do medo de amar.
Chamamos-lhes Amor, mas não o são.
Medo não é Amor.
Amor é um fluxo contínuo, um legado Uno e intrínseco a todos nós. 
Nele não cabem mágoas, ressentimentos ou dúvidas.
Não há Amor impossível, proibido ou condicional.
Só há AMOR.
E, sabem que mais?

Basta.