terça-feira, 27 de setembro de 2011

( IN) FIDELIDADES



Como diz José Antunes a propósito da consciência, ‘ se viver fosse sinónimo de existir, nada seria problemático’. A verdade é que para alguns viver é muito mais do que existir e porque assim é, torna-se necessário questionar em que é que realmente acreditamos e se o que acreditamos ressoa ou não com a nossa essência.
Como não me canso de afirmar, são as nossas relações amorosas (e o que com elas podemos experienciar), um dos melhores laboratórios que a vida encontra para nos ajudar no nosso processo de transformação e de ampliação da nossa consciência.
Nelas existem ‘ temas’ que precisam ser revistos, que precisam de (re) avaliados para que a VERDADE do AMOR nos torne cada vez mais lúcidos e nos liberte das prisões relacionais onde parecemos tantas vezes cumprir perpétuas e pesadas penas.
Um desses ‘temas’ é exactamente aquele que é tratado com grande hipocrisia – a (In)fidelidade.
Prometemos ser fiéis ao outro, sem sequer perceber bem o que isso quer dizer para nós. Depois afirmamos que nunca perdoaremos ‘traições’ e que se o outro nos ama tem de nos ser ‘fiel’.
Intrigada pergunto-me o que terá o AMOR a ver com isto?
O que terá o AMOR a ver com a posse?
O que terá o AMOR a ver com exclusividades impostas?
Vivemos enrolados em mentiras, com medo de ‘trocar’ e de sermos ‘trocados’, não percebendo sequer que ninguém pode ‘ trocar’ ninguém, porque cada um de nós é um ser único.
Um Ser único, cujo principal compromisso deveria ser com a VERDADE e nunca com o outro.
Quantos de nós, são ‘fieis’ por dever e não por ‘ vocação’?
Quantos de nós ‘deslizam’, mentindo compulsivamente ao outro, não percebendo que é a si próprios que estão a mentir?
AMAR é simples.
É antes de mais saber respeitar as nossas escolhas e as escolhas do outro.
Sejam elas quais forem.
Mais do que nunca a Terra precisa de AMOR e de PAZ e enquanto não nos libertarmos de crenças, de mentiras e de jogos, essa PAZ será longínqua e muito difícil de encontrar.

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