quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

TEMPO & ESPAÇO A DOIS


O que será que é preciso para que a pessoa com quem vivo tenha mais tempo para mim? - perguntava-me outro dia alguém  que está a passar por um processo difícil na sua relação.
Sem muito pensar, respondi com um sorriso – é preciso tempo. :-) 
Fiquei no entanto a reflectir sobre a minha resposta e sobre a forma como nós somos peritos em confundir as coisas.
Na verdade para que nos serve o tempo numa relação, se não abrirmos espaço para a mesma? Quantos de nós já experienciaram um passeio a dois, onde o outro parece não estar ali, trazendo-nos aquela terrível sensação de estarmos sozinhos apesar de aparentemente acompanhados?
Na verdade, isto nada tem a ver com tempo, mas sim com espaço.

Tal como uma planta, uma relação é um ser vivo. Precisa de tempo para ir criando raízes mais fortes, precisa de tempo para passar pelas quatro estações e delas sair ou não transformada, precisa de tempo para nos mostrar qual é o seu propósito para nós, enfim, precisa de tempo para se revelar na sua sagrada intemporalidade.
No entanto, estas raízes que o tempo ajuda a tornar mais fortes, não conseguirão crescer se não existir espaço no solo para que a sua expansão seja feita.
Sem este espaço a planta irá rapidamente atrofiar e até acabar por morrer.

Que espaço temos para o outro nas nossas vidas? 
Muitas vezes relacionamo-nos com o outro a partir do que queremos dele obter e não a partir do que estamos realmente dispostos a dar.
Parecemos abrir espaço, quando na realidade este espaço só existe porque queremos ver as nossas necessidades satisfeitas, pois a partir daí temos dificuldade em mantê-lo.
Estamos assim, a chamar espaço a uma mera ‘ocupação territorial’ feita a partir do nosso umbigo e isso parece deixar-nos ‘saciados’, apesar de obviamente mais cedo ou mais tarde se revelar ilusoriamente insuficiente. .
Abrir espaço significa antes de mais, estar presente.
Mas…estar presente não é “estar-lá”, mas sim “estar-dentro”.
Abrir espaço é interessar-se genuinamente pelo outro na sua multiplicidade de características, boas e menos boas. Estar disposto a escutá-lo em vez de somente o ouvir.  
Estar disposto a dar, a SER ao seu lado.
Abrir espaço é respeitar o meu espaço e o do outro, sabendo no entanto que existe um espaço comum, que pela sua sacralidade precisa de ser cuidado com doçura, carinho, respeito, liberdade e investimento de ambas as partes. Investimento este que não pode vir de um desejo desenfreado do ego, mas apenas de uma genuína e pura vontade da Alma.

O tempo amadurece as relações.
Só o espaço as sabe nutrir. 


Com Amor

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