quarta-feira, 19 de setembro de 2012

No Banco dos Suplentes - Quando o lugar que ocupamos não tem lugar para Nós



Ana (nome fictício) tem 40 anos e segundo ela, “nunca teve uma relação onde se sentisse amada e visse respeitado o seu lugar “.
Durante seis anos manteve uma relação com Mário que descreve como sendo “um homem bondoso, inteligente, com um sentido de humor incrível, apesar de reservado e muito dedicado à sua carreira”. Após uma exaustiva “lista-de-atributos”, Ana baixa os olhos e confessa finalmente a medo o “derradeiro-atributo” de Mário - ser casado e por isso… indisponível.
Diz (com ar justificativo), que só aceitou tal situação por gostar tanto dele e por acreditar de alguma forma que era correspondida.
Queria no entanto por um ponto final na “ saga” (palavras dela), por se sentir sempre a mais, desrespeitada, mal-amada e com uma vontade transbordante de ter uma relação saudável, onde finalmente possa partilhar a sua vida com alguém que tenha espaço para ela.

Ao longo de várias sessões, Ana foi relatando duros e difíceis episódios, que guardou em cofre de ferro anos a fio e que foram revelando aos poucos a mágoa profunda que viveu ao lado de Mário, que completamente indisponível marcava e desmarcava encontros, usando-a como e quando queria, criticando-a constantemente, escondendo-a do mundo e nunca se interessando verdadeiramente por ela, enfim… Ana esteve anos, num canto da vida de Mário, respondendo prontamente a todos os seus anseios, mas nunca usufruindo do direito de também ela “ ansiar”.  
Vivia uma relação unilateral com alguém que permitiu a sentásse (de preferencia quietinha), no... “ Banco dos Suplentes”.   

Será que o que fez com que Ana permanecesse anos sentada neste duro banco, foi mesmo o “Amor” que sentia por Mário?

Talvez, não.
Quem sabe foi a sua indisponibilidade que se disponibilizou para o indisponível Mário e, quem sabe, a sua falta de Auto-respeito e Amor-próprio a buzinarem-lhe constantemente ao ouvido que não merecia mais do que as migalhitas que ele escolhia com tanto “carinho” para a alimentar.  

Apesar de repetir vezes sem conta que esteve sempre disponível para Mário, Ana ainda não reconhecia nela o “valor” suficiente para sair do “Banco dos suplentes”, onde se permitiu ser colocada, por desconhecer ser digna de ter o seu próprio lugar. 

Mas…qual era afinal o seu lugar?
O lugar de quem não só Ama, como se sente Amado.
Que é o lugar do respeito mutuo, da confiança e da verdade.
Saber reconhecer-se como merecedora de Amor com “ A”, foi um profundo trabalho de Ana, que depois de um tempo de “repouso”, vive hoje uma relação, onde existe uma franca disponibilidade de duas pessoas, onde por ter aprendido a respeitar-se, se sente respeitada, por ter aprendido a posicionar-se na vida, ocupa o seu lugar, observando agora à distância o banco sombrio onde anos se sentou - o “ Banco dos Suplentes”.

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