domingo, 11 de novembro de 2012

Estórias de India em mim ( Parte II ) - A profunda simplicidade da Vida


Curioso, nunca pensei que o simples fosse tão difícil de explicar.
Talvez por ser simples, e também eu estar formatada, para esta ‘atribulada-atribuição’ que é carimbar com enganosos códigos, o que não precisa de ser rebuscado ou carimbado.  Hoje desci da montanha, e estou numa aldeia perto de Mount Abu. Aqui vive-se a riqueza da simplicidade.
Como me sinto pequena, perante tudo isto. Afinal que sei eu da vida, quando esta ‘suposta-pobreza’, me surpreende com uma grandeza de Alma e riqueza interior, que nem um milhão de letras, vindas desta minha mente treinada em questionar, poderão retratar.
E, agora sei, que a todos os que me perguntarem como é a India, talvez não saiba mesmo explicar. A simplicidade anula qualquer explicação.
Existem tantos mundos. Tantos mundos, dentro deste mundo ‘esfericamente-quadrado’, onde todos viajamos juntos, apesar da nossa miopia existencial nos iludir do contrário.
Que ideia esta, que na Terra existem lugares cativos?
Estamos todos nos mesmo estádio, a assistir ao mesmo jogo.
Talvez por isso me sinta em casa.
Reconheço-me nesta profunda simplicidade.
Caminhar por estas ruelas apertadas, faz-me bem.
Gosto de pisar este chão sujo, inalar este cheiro acarilado, dar-me a estes sorrisos ternos, a estes olhares enriquecidos pela simplicidade da vida, aquela que ainda apavora a ‘pobreza’ dos homens ricos. 

Que dicionário seria capaz de traduzir a linguagem destes olhares?
     
É nas coisas simples da vida que tocamos a essência do que, sendo simples é profundo. A Alma expressa-se através da simplicidade, da pureza, do Amor e da gratidão. Não precisa traduções, lógicas ou interpretações.

Aqui a vida é simples. 
O Amor tem uma fragância única.
Desprovida de ego, esta fragância fica impregnada na pele, relembrando-nos que, e enquanto buscarmos riqueza onde ela nunca existirá, seremos eternamente POBRES. 

( Retiro na India, foto de Nuno Aguilar)  


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