sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Afinal, o que é que nos diferencia?


Na praia observando o mundo humano ao meu redor, dou comigo a pensar, o que será que realmente nos diferencia.
Serão os corpos, mais ou menos altos, baixos, gordos ou magros?
Serão as roupas, escuras ou coloridas, de marca ou da feira?
Será a nossa classe social, o nosso nome de família, os restaurantes que frequentamos, ou tão simplesmente a forma como cada um de nós se espreguiça na toalha e reclama com a areia, que tímida se cola às assustadoras camadas de bronzeador, que a medo despejamos corpo fora,  não vão as férias acabar e a pele não escurecer.
O que nos diferencia afinal?
Afinal, um dia todos nós iremos desencarnar. Com mais ou menos ilusões, com mais ou menos respostas aos nossos apelos interiores, com mais ou menos Amor e respeito por todos os Seres, com mais ou menos sabedoria, conquistada pelo desapego que fomos aprendendo, sempre que soubemos usar o conhecimento, sem usar a nossa mente.
Realmente na essência, nada nos diferencia.
Chegamos, e partimos. Quem sabe para voltarmos e partirmos de novo.
Regidos pelas mesmas leis, nada parece importar aos olhos da natureza que imparcial, transcende largamente todos os nossos desejos e embirrações existenciais de querermos contrariar os ciclos naturais da Vida. São eles que nos confrontam com o facto de que, ao vivermos na mesma bola azul, todos vimos dotados da mesma centelha divina que nos permite alcançar dentro de nós o nosso maior potencial, aprendendo, como dizia Jesus – ‘ a estar no mundo sem ser dele’, isto é, a desapegarmo-nos de tudo que nos distancia de nós, logo nos separa (diferencia) dos outros.   
Cada um de nós é único.
A nossa impressão digital é só nossa.
Curiosamente este legado não nos pretende diferenciar, mas sim aproximar.
Imaginemo-nos peças únicas, não repetíveis, de um gigante e colorido puzzle, onde diferentes cores, diferentes formas, diferentes tonalidades, transbordam coloridos múltiplos, se complementam umas às outras, construindo juntas algo de beleza indescritível.
Na verdade, nada as diferencia na essência, são todas peças.
Apesar das diferentes cores, formas ou tonalidade, têm como finalidade última, afirmarem-se na sua ‘diferença’, perante um Todo comum, o puzzle, que, apesar de as saber diferentes, não as diferencia.
Neste mundo humano, multicolor, apesar de tantos de nós ainda viverem a preto e branco, apesar de tantos de nós viverem aprisionados de si-mesmos, apesar da Vida ser uma dádiva que tantos ainda desperdiçam, talvez seja cada vez mais importante perceber que não são as diferenças que nos diferenciam, mas sim a ilusão, que carregamos connosco de que somos diferentes!


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