quarta-feira, 11 de junho de 2014

A PERMANÊNCIA DO AMOR NA IMPERMANÊNCIA DA VIDA

Desde que me lembro de mim, que sou acompanhada por uma profunda vontade de “perceber” a existência.
Hoje sei, que “percebe-la” é acima de tudo ousar experiencia-la, aprendendo a sua profunda simplicidade e aceitando de forma natural os seus débitos e créditos - leis revestidas de imparcialidade a que todos estamos sujeitos.
Quer queiramos ou não, a impermanência é uma delas.
Quem não sentiu pelo menos uma vez na vida a tristeza de ver alguém partir e verbalizar com dor - “ nada fazia prever que partiria assim tão de repente”.
Talvez este seja mesmo o princípio da grande ilusão que carregamos sobre a existência. Afinal, que previsibilidade maior pode existir para a morte, do que a de se estar vivo?
A impermanência doi-nos, faz-nos sentir sem controlo.
Custe o que custar queremos manter bem pertinho quem amamos, porque no fundo sabemos que contrariamente à impermanência da Vida, em nós está  contida a memória celular da Permanência do Amor.
Só a ilusão e a vontade de tornar a Vida permanente, nos faz acreditar que a partida de quem amamos, significa distância e afastamento.
Curiosamente, ao mesmo tempo que aprendemos o Amor, vamos naturalmente aceitando a impermanência da Vida. Talvez isto aconteça sempre que somos levados a experienciar que nele não há rupturas e que a sua eternidade em nós fala mais alto, anulando a ansiedade existencial de vivermos num mundo impermanente, pois ao contrário da Vida que, nos obriga muitas vezes a romper com tudo aquilo que não nos faz crescer, o Amor não tem passados, ‘rompimentos’ ou rupturas.
Quem Amou, Ama.
Só que Amar não significa “reter”, tornar nosso, usar e deitar fora. Esta sim é uma “complicada-ilusão” que indubitavelmente terminará um dia, quem sabe para que nos possamos aproximar mais e mais da nossa essência – a essência do Amor.
Porque afinal, o Amor tem em si a simplicidade permanente da sua Verdade.
A verdade que nos ensina que Amar é estupidamente simples.  
Tão simples como viver, tão profundo como respirar.
Tão PERMANENTE como a mágica e divina impermanência da Vida.  

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