quarta-feira, 15 de outubro de 2014

SERÁO OS MESMOS PÉS?

Alguns anos passados, aqui nesta praia, pergunto-me se terão sido os mesmos pés a pisar de novo esta areia.  
Os outros eram tristes, iludidos e carregavam consigo a imensidão da mentira, que confundida com o mar, refletia em mim cinzentas nuvens de tristeza e nostalgia.
Recordo-me de aqui caminhar, ausente de mim.
Cabisbaixa, observava aqueles pés.
Cansados, sem rumo, desconheciam a fórmula necessária de continuar o caminho a que se propuseram.
Sabiam que o caminho é o caminhante e talvez por isso, continuavam a deixar na areia a marca da esperança e da vontade de VIVER.
Hoje pergunto-me se os estes pés serão os mesmos.
Curioso, como o poder da transformação, parece anular esta indubitável certeza, que sempre que a consciência acontece, a lucidez surge e os acontecimentos alteram, o corpo, apesar de ser mesmo, parece-nos outro.   
Fala-nos de outra maneira. Conta-nos outras histórias.
Mesmo quando as memórias mais dolorosas surgem, tem a magia de nos reposicionar, apaziguar e relembrar que nada mais existe que a eternidade do “momento-presente”. Foi com ele que hoje falei.
 Perguntei-lhe que pés pisam, tantos anos passados,esta areia.

Olhou-me ausente de passado ou futuro e respondeu “ Os teus, que não sendo outros, seguramente não são os mesmos "

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