terça-feira, 2 de dezembro de 2014

IMPOSSIBILIDADES DO AMOR

O Amor é o mais possível, possível.
Talvez essa seja mesmo a sua maior característica.
Acontece dentro de nós de forma tão natural, que a mente, apesar de se esforçar por entender pela lógica, jamais conseguirá tocar a simplicidade do seu cheiro e a beleza da sua permanência.
Somos AMOR, essa é a grande verdade da nossa existência.
No entanto esse AMOR que somos precisa de se expandir, de ser partilhado, de ser ‘ele-próprio-amado’!
Talvez por isso, ao longo da Vida vamo-nos encontrando e desencontrando na relação com o outro e somos assim convidados através dele à aprendizagem do Amor, grande parte das vezes através daquilo que ele não é.   
Iludimo-nos vezes sem conta, projectamos gigantes expectativas e resultado é sempre o mesmo – uma profunda e grotesca desilusão.
Afinal, o outro não é como nós pensávamos que era. A questão é que nem nós próprios, na maioria das vezes sabemos quem somos também.
Ao terminarmos uma relação, ao percebermos nela a sua impossibilidade, acreditamos que o AMOR não foi suficiente para a manter ou simplesmente que um dos dois escolheu amar outro alguém, o que na nossa cultura significa “escolha-obrigatória”, logo rutura inevitável.
Nessa altura o “mais-ferido” quer arrancar à força a dolorosa lembrança de quem partiu.  
Apaga o nº de telemóvel, ‘desamiga’ no Facebook e revolta-se pois apesar de tudo isto o outro continua a ter lugar cativo no seu coração e parece não querer arredar pé.
Ora se há impossibilidade que o AMOR tem é a do esquecimento.
Não se esquece quem se AMOU, pois na verdade amar, por ser muito mais que um verbo, impossibilita ‘conjugações-em-tempos-passados-ou-futuros’.  
Por ser o grande presente da nossa existência, apenas pode existir no…PRESENTE J  
Após uma rutura, podemos escolher sofrer com a saudade ou simplesmente aceitá-la, mas apagar da nossa vida quem se ama é uma real impossibilidade.
E, apesar de acreditarmos que a dor que sentimos se deve ao AMOR que não mais recebemos daquela pessoa, a verdade é que o mais doloroso, é mesmo não poder partilhar todo esse Amor da forma como anteriormente fazíamos.  
O que temos para DAR e não DAMOS doí-nos mais do que aquilo que não RECEBEMOS.
Aceitemos pois, que da impermanência da Vida, faz parte integrante a permanência do Amor, o que impossibilita qualquer equivoco, qualquer rutura, qualquer ilusão que o nosso ego teime em manter.  

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