terça-feira, 23 de dezembro de 2014

SEI DE QUEM NUNCA AMOU

Sei de quem celebra o Natal apenas uma vez por ano, sem nada dele saber.
Sei de quem olhando o mar, nunca o viu.
Sei de quem nunca pôde sentir a brisa quente de um dia frio de Inverno e o calor fresco dum regenerador dia de Verão.
Sei de quem nunca sentiu a força quente da areia, nem textura mágica da terra húmida nos pés.
Sei de quem estando preso alcançou a liberdade e de quem estando livre nunca se libertou.
Sei de quem nunca tocou o sabor profundo dos afectos nem o reconfortante conforto dum abraço apertado.
Sei de quem se escondeu de si mesmo na esperança de escapar à impermanência da Vida e de quem se encontrou quando ousou deixar de se esconder.
Sei de quem nunca cantou uma canção, nem se permitiu dançar uma dança.
Sei de quem nunca riu, nem valorizou a inconfundível bênção dum sorriso verdadeiro.
Sei de quem gastou as chances da Vida em busca de minas de ouro, não percebendo a riqueza da sua ‘mina-interior’.
Sei de quem nunca cresceu e despejou nos outros a responsabilidade da sua própria incarnação.
Sei de quem nunca perdoou, coleccionando mágoas e deixando de sentir a liberdade que é não ter ressentimentos.
Sei de quem nunca tocou a paz, enrolado na ilusão que a guerra sabe sempre mais.
Sei de quem ‘rezou-infinitos-terços’, sem entender uma única palavra da mensagem de Jesus ao mundo.
Sei de quem consumido pelo medo, nunca amou.
Sei também de quem pensando estar a amar se ‘perdeu-de-si-mesmo’ enrolado na confusa ilusão de ‘perder-o-outro’.
Sei de quem mente à Verdade na esperança de ela um dia acreditar.
Sei de quem podendo sentir na epiderme a essência do Amor, nunca o fez.
Nunca ousou aceitar a certeza da sua permanência, nem a sacralidade do que nele é eterno.
Talvez por isso percorra deambulando as ruas da sua existência, na triste mendicidade que é ter na mão um saco repleto de alimentos e mesmo assim permanecer com fome e ter dentro de si um mundo repleto de AMOR e mesmo assim não conseguir AMAR.            

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