segunda-feira, 20 de abril de 2015

AS PALAVRAS NÃO ENVELHECEM

Já vivi com tudo e já vivi com nada.
Já vivi com pai, mãe e avós e já vivi sem eles.
Já vivi com marido, filhos e cão e já vivi sem eles.
Já vivi com amigos e já vivi sem eles.
Já vivi com mentiras e já vivi com verdades, mas também sem elas já vivi…
Já vivi deslumbrada com a Vida e já vivi sem qualquer deslumbramento.
Já vivi repleta de valores e já vivi sem eles.
 Já vivi comigo e já vivi sem mim.
Já vivi com apegos e já vivi sem eles.
Já vivi com Amor e já vivi sem ele.
Há no entanto algo com que sempre vivi – os meus livros!
Esses que são parte de quem sou e de quem quero vir-a-ser…
Esses que são companhia intemporal do meu caminho…
Esses cujas palavras sabem aquietar-se em cada página, sabem aninhar-se serenas ao seu propósito, por saberem que só ele é maior que elas…
Nada esperam de quem lhes dá vida, porque as escreveu ou as leu…
Ainda que contidas no mesmo “involucro” sabem ocupar os seus lugares sem brigas, enredos ou dramas…
Não só aceitam a sua grandiosa condição, como se aceitam entre si…
Ainda que possam amarelar-se pelo passar do tempo, o tempo não tem como por elas passar...
Vivem vidas várias. As vidas de quem vida lhes dá.
Quem sabe todos gostaríamos de ser como elas...
É que, ao contrário de nós, as palavras não envelhecem.
Talvez por isso,
já vivi sem tudo, já vivi com nada
Mas sem livros ou sem palavras?
Não, isso NUNCA VIVI!! 

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