segunda-feira, 1 de junho de 2015

QUANDO OS TAMANHOS SE CONFUNDEM


Um destes dias enquanto arranjava as unhas, reparei na capa da revista que ao meu lado, chamava a atenção para o triste episódio do “menino das orelhas grandes” ridicularizado pelo programa da SIC “Ídolos”.
A notícia referia-se simultaneamente à vergonha pela qual passou, capaz de arrasar totalmente a sua autoestima e ao facto de uma determinada clinica do Porto, se ter oferecido para o operar, permitindo-lhe assim ter “orelhas normais”, capazes de anular para sempre qualquer gozo exterior.
Tudo isto me levou a reflectir sobre a confusão que todos, de uma ou de outra forma fazemos, entre as formas e limitações do nosso corpo físico e a ilimitada, eterna e ‘sem-forma’ expressão da nossa alma.
Basta observar como alguns de nós relacionam e confundem aquilo que consideram ser “grande” porque pode ser medido, com aquilo que é a...Grandeza do Ser Humano.
Perdidos do essencial, esquecemo-nos que a mesma, não só não é mensurável, como é também invisível aos olhos, pois revela-se ao mundo a partir da humildade do coração, essa que pela sua simplicidade dispensa qualquer medida.      
Formatados para o que é ‘normal’, parecemos querer cumprir o mais possível a profecia da perfeição, onde o belo por fora parece traduzir o bom por dentro e vice-versa.

Tem orelhas grandes, mas parece ter um bom coração – comentou entusiasmada a senhora que aguardando a sua vez, pegou na dita revista.

Ora, o que é que o coração terá a ver com o tamanho das orelhas, pergunto eu?
Sendo o nosso corpo o invólucro, que permite à Alma cumprir o seu propósito na Terra, o que temos então de aprender com tudo isto?
Talvez, que está na hora de resgatar a essência do essencial, dando ao supérfluo o lugar que merece. A Alma expressa-se através das qualidades e acções construtivas com que cada um de nós fertiliza a sua Vida e a Vida dos que o rodeiam, contribuindo positivamente não só para o seu próprio bem, como para o bem de todos os Seres Vivos, logo para UM BEM MAIOR.     
Só no dia em que nos libertarmos da nossa fútil e castradora bitola de perfeição, poderemos tocar a grandeza do que verdadeiramente grande, sentindo sem qualquer esforço a infinita beleza que existe em cada um de nós, independentemente de podermos ter olhos tortos, braços pequenos, pés gordos ou…orelhas grandes!

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