quarta-feira, 1 de julho de 2015

CANETAS & ACASOS FELIZES :-)

Há três coisas que fazem parte do meu ‘arsenal-diário’.
Um livro, um bloco e…uma caneta.
As duas primeiras normalmente não falham, já a última parece driblar-me, jogando sem dó nem piedade às escondidas comigo, o que voltou a acontecer ontem mais uma vez.
Trocando-me as voltas, preferiu ficar sossegadinha em casa, quando o seu propósito seria acompanhar-me na minha caminhada de fim de tarde, onde porque uma inspiração é sempre bem-vinda, dela preciso para…escrever.
Ao perceber mais uma vez que não a tinha comigo, decidi recorrer ao telemóvel, que também preferiu descansar, surpreendendo-me com a sua falta de bateria.
Isto deve ser o que sente o alcoólico quando acaba o vinho – pensei, dirigindo-me para o restaurante, com o pensamento a fervilhar.
Escusado será dizer, que antes até de me ser dada a ementa, já estava eu a pedir uma caneta, arrancando um sorriso ao funcionário que parece ter sentido a minha ansiedade e me disse timidamente que só tinha uma e…precisava dela.
Expliquei como pude J (sim, porque isto de explicar que a súbita vontade de escrever se equipara na totalidade, aquela vontade inadiável de fazer chichi J ), dizia eu, que depois de explicar o que pude e como pude, lhe disse que era só um bocadinho e que lhe devolveria a dita, assim que ele precisasse, o que apesar de visivelmente intrigado , acabou por ceder.     
Assim sendo, entre uma e outra garfada, as palavras iam-se ajeitando bloco-verde-a-dentro, sem nunca a mesma lhe ter feito falta.
Quando finalmente terminei, ao trazer-me a conta disse:
- Já não precisa mais, pois não?
- Por acaso preciso, respondi com um sorriso.
Ao escutar esta conversa a colega que passava, parou e olhando-me nos olhos com convicção disse:
- Tem aqui a minha caneta. É muito especial para mim, mas pode levá-la e quando não precisar vem entregar-ma, pode ser?
Ora eu que faço parte dos que acreditam que tudo o que precisamos nos é dado, seja lá de que forma for, acolhi com carinho esta caneta e pude continuar a escrever, mais inspirada ainda pela inspiração, que é a confiança entre duas pessoas que supostamente “não-se-conhecem”, mas que partilham de uma sensibilidade comum, capaz de mostrar a grandeza destes pequenos gestos.     
Grata Tânia, da Pizzaria Capricciosa em Carcavelos! :-) 
Quero dizer-lhe que a sua caneta se fartou de dar vida a letras e mais letras no meu bloquinho verde e que tal como combinado, regressará a si na próxima quinta-feira, desta vez acompanhada por um livro que eu mesma escrevi e que apesar de ter sido escrito por outra caneta J  foi certamente “colado” com a simplicidade duma cola comum, a que gosto de chamar… Amor :-) 

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