domingo, 14 de fevereiro de 2016

DESABAFO DE MÃE

Há coisas que sabemos.
Apesar de as sabermos, ao depararmo-nos com elas, percebemos que as mesmas ainda têm a capacidade de nos surpreender.
Falo do que tenho observado na mulher que há 23 anos dei á luz.   
Ao contrário de muitos pais, deixei sempre os meus filhos muito livres nas suas opções. Nunca insisti que fossem para a universidade, nem que fossem os melhores em coisa nenhuma.
Procurei sim, mostrar-lhes que melhor do que ser bom e ter sucesso é ser ousado, autêntico e muito resiliente.
Procurei respeitar as escolhas deles, mesmo estando elas tantas vezes longe do que seriam as minhas escolhas para eles.
Tenho podido observar ao longo do caminho os testes a que têm sido submetidos. Afinal, acabam de uma ou de outra forma por serem os meus testes também.
Hoje, falo da Cláudia, minha filha.
Ultimamente com a doença do meu neto Duarte, gerou-se uma ainda maior proximidade física e espiritual entre nós.
Tornou-se mais óbvio para mim, que mesmo sem saber ou ter livro de instruções soube conduzir esta menina-mulher para um dos terrenos mais férteis da existência humana – o da alquimia através do Amor.
Sei que esta “espécie-de-iniciação” é um caminho sem retorno o que me deixa respirar de alivio.  
Poderia dizer que foi uma surpresa para mim, mas no fundo não foi.
Foi sim um grande e profundo orgulho ter tido a honra de parir uma mulher coragem, uma mulher que nunca vi baixar os braços, apesar de já muito saber sobre rendição. Uma mulher independente, que nunca precisou de cunhas em lado nenhum para trabalhar e ser sempre reconhecida pela sua dedicação e autenticidade. Uma mulher que sabe fazer da adversidade uma aliada e que tem sempre uma palavra de esperança e de conforto para os que a rodeiam. Apesar do medo, da ansiedade e da dor de ver o seu filho doente, sabe sair de si para apoiar, acalentar, e mimar quem está igualmente a passar por este processo. 
Saber atravessar a dor, alquimizá-la e contribuir para um bem maior é GRANDEZA e AMOR.
Mesmo se assim não fosse, amá-la-ia de qualquer maneira.

Mas sendo assim, não só a AMO e ADMIRO, como ainda me INSPIRO para escrever tudo isto e sentir que poderia escrever muito, muito, mas muito mais.        

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