domingo, 8 de maio de 2016

~ PARA ACEITAR NÃO É PRECISO COMPREENDER ~

A vida é muito mais simples do que aparenta ser.
Digo, aparenta, pois para muitos de nós as aparências parecem iludir e os desafios próprios do caminho, são ainda enfrentados como ‘pesados-problemas’ e claro está, vividos como tal.
Na verdade, há quem precise de dramas, de lamúrias, de pessimismo para que a sua vida “mexa”. Há quem fique de rastos porque o carro avariou, porque se enganou a programar a máquina de lavar e estragou a roupa, porque o filho não teve boas notas ou mais dramático ainda, porque o seu clube favorito perdeu o jogo. Há quem discuta por tudo e se enterre na almofada por nada.
Sentem-se grandes e injustiçadas vítimas da sociedade, dos pais que tiveram, da profissão que escolheram (apesar de dizerem o contrário), do casamento onde se amarraram, da prestação da mansão que agora não podem pagar.

Não aceitam a vida.
Tudo nela é mau, difícil, por isso…nada há para agradecer.

Esperneiam constantemente.
Desconhecem que o caminho não é linear e que só se faz caminhando. Por medo não caminham. Ausentam-se assim das experiências, pois desconhecem que a resiliência – grande elixir do equilíbrio humano – acontece apenas com a dureza das mesmas e com a alquimia nelas contida. Tal como uma árvore, enquanto os seus troncos e os galhos, não forem suficientemente fortes, qualquer vento fraco os pode quebrar.

Se observarmos a natureza é fácil perceber que toda a sua força reside na simplicidade e na ACEITAÇÃO de que tudo se movimenta ao seu ritmo, no seu tempo, gerando interacções necessárias para que seja sempre cumprido o seu grande propósito alquímico.
As flores não precisam compreender as abelhas que nelas pousam, nem as gaivotas o vento que lhes empurra ou dificulta o voo. A Lua não precisa de entender o sol para lhe suceder, nem o arco iris a chuva, para embelezar o céu.
Somos natureza, por isso para ACEITAR não precisamos compreender.
Para ACEITAR, precisamos apenas ACEITAR.
Ainda assim, a simplicidade parece complicar-nos a mente.
Há quem diga por isso, que o mais difícil na vida é mesmo aceitar.
Queremos que seja feita a nossa vontade, mesmo quando essa vontade não passa de um ilusório e fútil desejo.
Peritos em confundir, tornamo-nos “os-tais” do inicio do texto.
Os tais que vivem nos dramas, que não permitem que a vida os presenteie com troncos fortes e resilientes galhos.
Quando aprendemos a receber “aquilo-que-nos-acontece” com a mesma dignidade com que recebemos “aquilo-que-queremos-que-nos-aconteça”, uma porta gigante se abre dentro de nós.
Porta de percepção real da vida, da sua nobreza e ciclicidade.
Geradora de magia e confiança, ensina-nos a verticalidade, mostrando-nos sabiamente que aconteça o que acontecer, na verdade…nada acontece.
Apenas Vida.    

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