quarta-feira, 25 de maio de 2016

~ SER (TUA) MÃE ~

Dar-te-ia o mundo inteiro.
Dele tiraria a parte triste, desumana e maquiavélica.
Poupar-te-ia da gélida pobreza desta desumana humanidade, sedenta de bens e vazia da essência do que é essencial.
Dar-te-ia o mundo, sim.
Não este tão rebuscado e mesquinho, mas outro.
Outro, onde te pudesse poupar de toda a dor, de toda a angústia e inconstância.
Criaria um mundo grande, onde a grandeza que te percorre as veias nele coubesse sem te apertar a alma.

Mas, quer a Vida que não possamos privar quem neste mundo nasceu, de neste mundo crescer e de, com este mundo se transformar.

São as implacáveis leis deste tribunal, onde juízes e réus, vamos caminhando em busca de que a pena que temos para cumprir não seja dura demais,
que a prisão não se perpetue em nós,
 e, que tenhamos a “sorte” dos outros prisioneiros não nos atirarem pedras que a si próprios não conseguem atirar.
Resta-me então, tão prisioneira deste mundo como tu,
Honrar a nossa condição e encostar o meu ao teu corpo num abraço profundo.
Resta-me afagar-te o cabelo e regozijar-me por um dia te ter parido.
Resta-me aceitar que há muitos mundos neste mundo,
que vinho nunca será água, mas que ambos podem saciar diferentes desejos.
Aceitar que amar-te é somente o que está ao meu alcance,
Sem te privar da dor, sem amputar o teu crescimento, sem sobrepor o meu desejo à vontade da Vida, é tão bom poder tão-somente amar-te.    
E eis que percebo assim, a simplicidade do Amor.
Ao amar-te dou-te o mundo.
O meu mundo.
Mas, sabes uma coisa minha querida?
É que, deste mundo que te dou, recebo um gigante e magistral UNIVERSO.

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