terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O PODER DA MAGIA DAS PEQUENAS COISAS


Minha amada Constança, hoje vóvó viveu uma das melhores tardes da sua vida. Decidi falar-te dela, pois sei que assim perceberás porquê.

Sabes, o tempo dos homens - aquele que nos atravessa a pele, fazendo-nos acreditar que a vida é só o que vemos e nada mais - esse tempo, dizia eu, vai  retirando de nós a ignorância de darmos importância aquilo que não a tem, e ao mesmo tempo vai nos abençoando com a verdade do que é realmente essencial.
 Ganhamos rugas e perdemos ilusões.
O corpo envelhece, para a alma poder engrandecer.
Curioso, não é?
Esta nossa alma que precisa engrandecer, começa finalmente a ocupar lugar dentro de nós e com ela de mansinho acontece aquilo que a vóvó gosta de chamar, o poder da magia das pequenas coisas.

Como irás perceber ao longo do teu caminho, este poder mágico surge sem aviso prévio, como aliás acontecem, quase sempre as coisas mais marcantes da nossa vida.

Hoje, ambas fomos por ele bafejadas.

Fui buscar-te à escola bem cedinho, estavas tu ainda a lanchar.
Assim que me viste entrar, pude saborear a tua alegria e maravilhar-me contigo a devorares o iogurte, que há muito sabes comer sozinha.
Levantaste-te rapidamente, entregando-me a colher, como se de uma medalha se tratasse, para que fosse eu a dar-te o resto.
A simplicidade misturou-se com o prazer e magia fazia já parte de nós.
Caminhámos até ao bengaleiro e ao vestir-te o casaco o nosso olhar tocou-se com ternura, exalando um brilho profundo, que só a alma sabe decifrar.
Naquele exacto momento, soubemos mais uma vez, que existe um mundo só nosso e que os (re)encontros na terra, são obra prima sagrada, que a mente jamais decifrará.

De mãos dadas, lá fomos felizes para o carro.
Ao sair do estacionamento, olhei-te pelo retrovisor e senti-me invadida pela  tua pureza. Inspirei e de mim saiu a voz do amor terno de uma avó.

- Filha, queres ir ver os patinhos?

Ainda a frase não tinha terminado, já estavas a entoar um gritante “ siiiiiiiiiiiimmmmm”...
Vóvó, que é uma mulher de olhos molhados, não resistiu a umas dezenas de pestanadelas, na esperança de não se afundar de repente na emoção da simplicidade daquele mágico momento.
O jardim estava mais bonito que nunca. Os cheiros do Inverno, misturados com os tons pastel das folhas no chão, ampliaram a magia e tudo era absolutamente perfeito naquele momento.
Os patinhos pareciam estar à nossa espera e a forma como nos receberam foi tão, mas tão maravilhosa que as palavras jamais terão poder de interpretar ou definir.
Sabes, Constança o verdadeiro poder das coisas não pode ser definido ou interpretado, apenas vivido, experienciado.
Não reside na nossa imaginação, mas sim na coragem que temos de fazer acontecer magia. Magia esta que contém poder capaz de nos ampliar, nos tornar mais unos, mais sábios, mais felizes.
O poder da magia das pequenas coisas.
No fundo, minha amada, o magistral poder do AMOR.

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