quarta-feira, 6 de maio de 2020

AMIGOS INVISÍVEIS

Da mesma forma que estamos a ser obrigados a lidar com um “inimigo” que não se vê, lidamos diariamente com amigos invisíveis, que bem escondidinhos estão presentes, para nos trazerem luz, paz, amor e mais consciência.
Os amigos invisíveis têm várias particularidades.  
Com alguma perícia, gostam de afastar de nós, o pensamento lógico, aquele que busca quantidade em detrimento de qualidade, aquele que nos mente com os dentes todos arreganhados, fazendo-nos acreditar que o problema é o problema em si, e não a aprendizagem e a solução nele contida.
Estes amigos, gostam ainda de nos transportar para o mundo da verdade, considerado pelos mais racionais, como o mundo dos “loucos”, ou daqueles que tadinhos nasceram “fora-do-tempo”, ou seja, aqueles que sendo, “humanamente-humanos”, sabem de cor a realeza da intuição e a sabedoria que é aprender a escutá-la, seguindo-lhe a direcção sem hesitações, nem desconfianças. 

Os amigos invisíveis, regra geral são pacientes, persistentes e bons anfitriões.  

Incansáveis, trabalham sempre a nosso favor. Não se cansam de trazer até nós esperança, mesmo quando insistimos em ruminar medos, calcular tragédias, e abandonar o nosso barco, acreditando que o comandante, é sempre o outro e não nós!

Ao longo da nossa caminhada, estes amigos invisíveis são presença assídua nas células do nosso corpo e nas entranhas da nossa alma.

Querem-nos tão bem, que aguentam os nossos equívocos, mesmo quando rejeitados escutam – “eu cá, só acredito no que vejo”, é que a "matéria" de que são feitos ultrapassa o “acreditável”, desafia o transcendente, eleva o subtil e isso dando trabalho, e estando ao alcance de qualquer um, não é para todos, claro está! :-)

A presença destes amigos revela-se também através de alguns sintomas, que acredito alguns de nós, têm vindo a experienciar nestes últimos anos:

A esperança e a certeza de que tudo está absolutamente certo.
A confiança na vida e nos seus cíclicos processos de renovação e regeneração.
Observar atentamente a natureza, reconhecendo que não existe uma única estação, mas sim, quatro.
Observar-se e observar a vida e perceber-lhe o constante movimento entre expansão e contracção.   
A sensação de aceitar e de obedecer a uma ordem maior, rendendo-se cada vez mais, começando a ver dissolvidos os seus eternos “porquês”
Deambular entre vales e montanhas, choros e risos, e “estranhamente” deixar de querer à força decifrar o caos, optando por lhe aceitar antes, a ordem a que este nos convida.
Saber que semear batatas, não é sinónimo de colher agriões.

Assim sendo, se já tem alguns destes sintomas, o melhor mesmo é não procurar o médico, pois em breve descobrirá que a cura está dentro de si, e que muito provavelmente, está a ser bafejado, apoiado e nutrido mais uma vez por aqueles invisíveis amigos que tantas vezes desprezou.

Há quem lhes chame anjos, guias, mestres…porém isso é pouco importante para aqui, pois do mundo sagrado faz parte o mistério do inominável e faço sempre questão de o respeitar.   

Bem, se conseguiu ler este texto até aqui, atrevo-me a fazer-lhe uma sugestão :-) 

Tire a máscara que criou e sem grandes cuidados atire-a para o lixo.
Lave as mãos e a cara, apenas para garantir que dela nada mais ficou. 
Quanto ao “inimigo”, desconfio que está disfarçado de vírus, na tentativa de transformar uma humanidade hipócrita, agarrada à matéria e afastada daquilo que não vê, mas que no fundo, é estupidamente essencial.

Os tempos são de (con)vite à transformação.

Se cada Alma, souber que Alma É, tudo será mais simples.
Não precisaremos de matar o “inimigo” a todo o custo, só precisamos de resgatar finalmente o “amigo” que ignorámos anos a fio.  
Bem vistas as coisas, e para não haver batotas, depois de baralhadas bem as cartas, concluo que - nenhum deles se vê, nem o inimigo, nem o amigo, é um facto...
mas que indubitavelmente …
Ambos existem!

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