Os estilhaços que nos ficam na pele.

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Mais difícil do que as bombas que a vida faz rebentar perto de nós, é a capacidade e esperança que precisamos ter para retirarmos de nós os estilhaços que nos ficam na pele.

Podem ser inúmeros.

Os maiores, mais visíveis, apesar da dor que precisamos sentir, qualquer pinça bem direcionada os consegue remover, porém outros há, que infimamente entranhados, conseguiram percorrer camadas e camadas da nossa pele, e esses sim, precisam de “remoção-especial”.

Para que esta “remoção” possa acontecer, é preciso rendição e confiança.

Talvez esta seja a forma mágica, que a vida encontra.

Através de um processo de rendição, naturalmente confiamos que podemos expeli-los através da nossa própria pele, ou seja, através do nosso trabalho interior, do contacto com as nossas partes feridas, da profunda conexão connosco e da travessia que a dor dos mesmos nos vai provocando.  

Com os estilhaços, podemos aprender que há dignidade na dor e força na vulnerabilidade.

Mesmo quando há bombas que nos rebentam nas mãos e parecem desmembrar e amputar os nossos sonhos, a nossa esperança, a nossa confiança, as nossas dádivas, mesmo que tudo o que pareça restar de nós sejam feridas, é possível continuar, é possível curar!

Porque a Vida, é uma oscilação entre a magia da sua inteligência e os rebentamentos dos campos armadilhados, que precisamos aprender a identificar.

Ao identifica-los, temos a liberdade de escolher se queremos continuar a saltitar em cima de minas, jogando à “roleta russa”, ou se por outro lado, confiamos no processo e aprendemos que há locais que podemos evitar, e outros que são seguros para nós.

Nem todos os rebentamentos têm a sua razão, mas acreditem, todos têm a sua função.

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